História de Mato Grosso | Onde ir Cuiabá

A Origem do Homem Americano

Os estudiosos de História, Antropologia e Arqueologia, chegaram a conclusão que o homem americano chegou por essa terra pelas seguintes rotas:

  • Rotas Asiática
  • Rotas malaio-polinésias
  • Rotas Australianas

A divisão do “mundo desconhecido”

Tratado de Tordesilhas

As fronteiras do Período Colonial não se restringiam a meros marcos geográficos, mas correspondiam aos limites fixados pela movimentação dos homens no território. Assim foi o processo de colonização do Centro-Oeste que demarcou, a partir de 1750, as terras que pertenciam ao rei de Portugal e aquelas que correspondiam ao da Espanha. Tordesilhas já fora rompido, pois o avanço lusitano para o Oeste estabelecera uma outra fronteira que o Tratado de Madri sacramentou.

Assinado em 13 de janeiro de 1750, na cidade espanhola de Madri, tinha como princípio básico o uti possidetis, ou seja, “como possuis, continuais possuindo”.

“Uti Possidetis”

“Uti Possidetis” no Tratado de Madri

Cada parte ficaria com o que atualmente possuísse, salvo o caso das cessões mútuas.

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O Tratado de Madri foi assinado pelos reis D. João V (Portugal) e D. Fernando VI (Espanha). Eram eles concunhados e desejavam regularizar as pendências. entre as duas coroas, em terras americanas. A negociação diplomática, pelo lado português contou com a importante figura de Alexandre de Gusmão, um brasileiro com alto conceito na área jurídica.

Um importante marco na fronteira

O rio Jauru, já por ocasião do Tratado de Madri, fora considerado um marco geográfico muito importante, o que fez com que a Coroa portuguesa, em 1754, mandasse despachar, de Portugal, imensos blocos de pedra esculpidos em forma piramidal, contendo inscrições que declaravam aquelas terras de domínio português. Esse marco permaneceu, durante todo o período colonial, às margens do rio Jauru, sendo que, mais tarde (1883), foi transladado para a praça principal de Cáceres, onde até hoje permanece. Os tratados de limites, portanto, reforçaram a importância desse rio, por ligar as regiões setentrionais com o alto Guaporé.

O Marco do Jauru, hoje, na praça central, em Cáceres.

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Antes mesmo que D. Antônio Rolim de Moura deixasse o governo da Capitania de Mato Grosso, o Tratado de Madri já havia sido anulado, considerando sem efeito as posses que em sua administração, haviam sido feitas em nome da Coroa portuguesa. Os governantes que sucederam Rolim de Moura no governo da Capitania de Mato Grosso tiveram, como base estratégica de limíte, os Tratados de Santo Ildefonso e de El Pardo.

A chegada dos Bandeirantes

“Entre 1673 e 1682, os bandeirantes paulistas Manoel de Campos Bicudo e Bartolomeu Bueno da Silva subiram o rio Cuiabá até a sua confluência com o rio Coxipó-Mirim, onde acamparam, denominando o local de São Gonçalo. No final de 1717, seguindo o mesmo caminho do seu pai, António Pires de Campos chegou ao mesmo local, rebatizando-o de São Gonçalo Velho. Nessa região, onde hoje vivem ribeirinhos e ceramistas, encontraram uma aldeia de índios Bororó. Muitos foram aprisionados em combate e levados para São Paulo como escravos.” Fonte: Silva & Freitas (2000).

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As monções do Sul

Quando os bandeirantes paulistas atingiram o rio Coxipó, implementando guerra aos índios Coxiponés, chegaram a pé ou através de pequenas embarcações, utilizando-se da imensa rede hidroviária que drena o centro do continente. No momento em que a mineração floresceu, às margens do rio Cuiabá, nasceu ali um arraial onde foram construídas casas, igrejas, estabelecido pequeno comércio, tornando-se necessário regularizar o abastecimento, pois seus habitantes estavam ocupados somente com a mineração. Os produtos agrícolas de primeira necessidade, tais como arroz, feijão, mandioca, farinha de mandioca, milho, açúcar e cachaça eram fornecidos por duas localidades próximas a Cuiabá: Rio Abaixo (Santo António de Leverger) e Serra Acima (Chapada dos Guimarães).

Tudo o mais de que necessitavam chegava através do comércio de maior porte existente na Capitania de São Paulo, da qual as minas do Centro-Oeste faziam parte. De lá, chegavam a Cuiabá: roupas, bebidas, medicamentos, ferramentas de trabalho, alimentos variados, dentre os quais destacava-se o sal, produto indispensável ao bem-estar da população do arraial. A esse sistema abastecedor e de transporte de pessoas, implementado exclusivamente através dos rios, deu-se o nome de monções.

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O abastecimento hidroviário era feito duas vezes ao ano e a viagem demorava, aproximadamente, de 4 a 6 meses, dependendo do volume de água dos rios. Nela, os pilotos e a tripulação eram obrigados a ultrapassar cachoeiras e atravessar, por terra, grandes trechos entre rios denominados varadouros. Nessa ocasião, as canoas e a bagagem eram carregadas no ombro dos índios ou dos africanos. Além disso, as monções contavam com contratempos inesperados, como avaria das embarcações, temporais, falta de alimentos e, sobretudo, ataque dos índios que habitavam as regiões limítrofes ao trajeto.

O governador muda-se para Cuiabá

As minas de Cuiabá distanciavam-se da sede da Capitania, o Povoado, como era chamada a Vila de São Paulo de Piratininga. O acesso à legislação régia, a fiscalização na extração aurífera, a entrada de mercadorias e, sobretudo, a saída do ouro ficavam, praticamente, sob o controle dos próprios descobridores. Foi pensando em estendera administração portuguesa até as minas cuiabanas que o governador da Capitania de São Paulo, Rodrigo Moreira César de Menezes, resolveu, em meados do ano de 1726, deixar o conforto da capital paulista e ir morar, por algum tempo, em Cuiabá.

Desde antes, pressentia o governante que o controle político dessa região se encontrava em mãos de antigos sertanistas, enriquecidos com os lucros auríferos. Era o caso dos irmãos Leme, João e Lourenço, que, como opulentos comerciantes e mineradores, exerciam um extremo controle na região das minas de Cuiabá. Necessário se fazia acabar com o mando desses poderosos locais ou aliciá-los como representantes da Coroa portuguesa.

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Chegada da monção de Rodrigo César de Menezes a Cuiabá. Moacyr de Freitas (2000). Acervo Fundação Cultural de Mato Grosso.

Os jesuítas chegam a Mato Grosso

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“Tendo conhecimento da existência de missões jesuíticas espanholas além do rio Guaporé, os portugueses trouxeram para a nova Capitania de Mato Grosso os padres da Companhia de Jesus. O lugar escolhido para o estabelecimento da missão indígena foi o alto da Serra de São Jerônimo, também conhecida como Serra da Canastra, atual Chapada dos Guimarães. A opção pela região serrana se devia, principalmente, ao clima, que em muito se assemelhava ao europeu. A missão ali erigida tomou o noem de Missão de Santana, em homenagem à avó de Jesus. Esse empreendimento foi responsável pela construção da Igreja de Santana da Chapada, atual matriz do local.” Fonte: Silva & Freitas (2000).

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D. Antônio Rolim de Moura saiu de Portugal em fevereiro de 1749, aportando em Pernambuco e depois no Rio de Janeiro. Seguiu para Santos e, em seguida, passou alguns dias na cidade de Parati, onde se refez da longa viagem marítima. De lá, seguiu para São Paulo, iniciando pelo rio Tietê (5 de agosto de 1750) a viagem para Cuiabá. O roteiro monçoeiro escolhido foi o segundo, passando pelo varadouro de Camapuã. Rolim de Moura descreveu todo o trajeto numa belíssima e ilustrativa Relação de Viagem. Por ela, podemos visualizar, com detalhes, os rios, os animais, as plantas, os índios e os lugares.

Trouxe ele consigo os primeiro jesuítas para Mato Grosso, os padres Estêvão de Castro e Agostinho Lourenço. o primeiro ficou responsável pela organização de uma missão jesuíta em Chapada dos Guimarães. O segundo jesuíta, Pe. Agostinho Lourenço, acompanhou Rolim de Moura à região do rio Guaporé, onde deveria ser fundada a primeira capital de Mato Grosso.

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Antônio Rolim de Moura

 

A fundação de Vila Bela da Santíssima Trindade

 

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D. Antonio Rolim de Moura deixou Cuiabá no final de 1751, partindo para o alto Guaporé, ali, objetivando fundaram uma vila que seria a capital de Mato Grosso. A escolha em detrimento de Cuiabá, que era a maior vila da Capitania, se deveu, exclusivamente, ao fato de que com a migração de colonos para a região guaporeana, receavam as autoridades metropolitanas que houvesse perigo eminente de se perderem os territórios até então conquistados a Oeste.

A decisão de estabelecer a capital no alto rio Guaporé contou, dentre muitos problemas, com o do abastecimento, pois as monções cuiabana encontravam dificuldades em levar os produtos devido ao acidentado trajeto que se entrepunha entre as duas vilas. Portugal então criou a companhia de comércio do Grão-Pará e Maranhão interligando Belém do Pará a Vila Bela através do Rio Amazonas, Madeira e Guaporé.

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Os Militares

Mesmo tendo sido anulado o Tratado de Madri, ao governo lusitano interessava garantir a posse das áreas a Oeste, especialmente daquelas conquistadas pelo avanço bandeirante e expandidas durante dos primeiros capitães-generais de Mato Grosso. Foi perseguindo esse objetivo que Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres mandou construir o Forte de Coimbra, no ano de 1775. Com mais esse importante posto militar, objetivava assenhorar-se da navegação do baixo rio Paraguai, não permitindo assim que espanhóis ou índios dominassem esse importante ponto estratégico.

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Capitão-general Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres. Autor não identificado (década de 70 – século XVIII). Acervo da Casa Ínsua, Portugal.
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Forte Coimbra

Outra construção estratégicamente erguida ao longo da fronteira ocidental foi o Forte Real Príncipe da Beira, no ano de 1776, ainda por ordem do referido governador. A posição geográfica dessa fortificação era estratégica: à margem direita do rio Guaporé, acima da capital, Vila Bela da Santíssima Trindade. Esse monumento arquitetônico serviu como mais um ponto de fixação da fronteira. A construção dessa suntuosa edificação ficou a cargo de Domingos Sambuceti, engenheiro responsável pela obra. Tal como no Marco do Jauru, essa fortaleza contou com inscrições em latim, patenteando a posse da região pela Coroa portuguesa.

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Forte Príncipe da Beira

 

A Sociedade Colonial Mato-grossense

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Bairro do Porto. 2004. Gravura Moacyr Freitas. Fonte: Prefeitura Municipal de Cuiabá.

 

A sociedade mato-grossense, no Período Colonial, era composta por diversas camadas sociais:

  • HOMENS LIVRES : Compreendendo, nesta categoria, as Elites, a Camada Média e os Homens Livres Pobres.

 

As Elites eram compostas pelos:

Fazendeiros, homens bem-sucedidos, os quais requeriam, logo que chegavam à região, cartas de sesmarias, através das quais obtinham grandes extensões de terra onde desenvolviam a agricultura, até mesmo com a produção de excedente que era vendido aos mineiros, mantendo, muitos deles, engenhos de açúcar e de farinha de mandioca e milho. Esses proprietários de terras o eram também de escravos e representavam a camada superior da escala social. Conceituados junto às autoridades administrativas, ocupavam postos de comando político-administrativo na região;

Grandes comerciantes, ligados ao comércio importador e exportador.

Burocratas do Estado, compreendendo os políticos de carreira, o alto clero e os funcionários públicos que ocupavam o primeiro escalão;

A Camada Média, composta por profissionais liberais, baixo clero, professores, funcionários públicos, militares, ambos de médio posto e pequenos comerciantes.

 

A categoria Homens Livres Pobres era composta de:  A categoria Homens Livres Pobres era composta de: * Militantes de baixa ou nenhuma patente;

Mineiros (trabalhadores das minas); e

Pequenos agricultores, que sobreviviam de roças, da pesca e da agricultura de subsistência, ou que não tinham qualquer emprego fixo. Considerando que, no mundo colonial, as relações de trabalho eram majoritariamente escravistas, a atuação dos homens pobres como trabalhadores assalariados era insignificante, podendo, alguns deles, manter um estabelecimento comercial, na maioria das vezes pequenas vendas ou tavernas. Alguns poucos, tentando fugir da pobreza, empregravam-se como capatazes, feitores ou trabalhadores braçais junto aos estabelecimentos agrícolas.

Destaca-se, entre os homens livres pobres, os soldados, oriundos das famílias de poucas posses. Muitos deles encontravam no serviço militar uma forma de manter-se, mesmo recebendo baixos soldos. O contingente militar mato-grossense sempre foi acanhado diante da extensão da fronteira Oeste, porém mantinha-se, do alto Guaporé ao baixo Paraguai.

A resistência Indígena

Os ataques as monções: A partir de 1725, os ataques às monções, que vinham de São Paulo e que iam para as minas de Cuiabá, foi uma constante durante todo o período colonial o que gerou um conflito muito intenso contra os povos indígenas.

Os Paiaguá eram conhecidos como o exímios canoeiros, pois no confronto surpresa viravam as canoas das monções.

Os guaicurus foram conhecidos como exímios cavaleiros uma vez que se utilizavam com destreza e agilidade na arte hípica, montados a pelo, debruçavam-se no dorso do cavalo parecendo a quem observasse de longe, tratar-se de uma correria de animais sem cavaleiro.

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Paiaguas
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Guaicurus
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Coxiponeses ou bororos

 

Transferência da Capital Para Cuiabá

Capitania endivida

Quando Magessi assumiu o governo da Capitania de Mato Grosso essa se encontrava numa situação de extrema pobreza, pois a maioria dos comerciantes de Cuiabá e de Vila Bela estavam endividados junto as grandes casas comerciais do centro sul. A capitania certamente não possuía verba para bancar essas despesas e nem tampouco pagar em dia os militares e funcionários públicos que ficavam com os salários atrasados em até seis meses.

O principal fator da transferência da Capital da Província de Mato Grosso Vila Bela da Santíssima trindade para Cuiabá foi a insalubridade da região Oeste do Estado onde Vila Bela estava localizada, as doenças o difícil acesso e a terra de baixa produtividade foram fatores essenciais para esta tomada de decisão.

 

Fonte: SIQUEIRA, Elizabeth Madureira. História de Mato Grosso: da ancestralidade aos dias atuais. Cuiabá: Entrelinhas, 2002.

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