Características Gerais da Hidrografia de Mato Grosso

  • A maioria dos rios é de planalto (planálticos)
  • A rede de drenagem predominante é exorréica, ou seja, a maioria dos rios de Mato Grosso tem suas águas despejadas no Oceano Atlântico, mesmo que de forma indireta.
  • O regime predominante nos rios mato-grossenses é o pluvial tropical, ou seja, os rios transbordam e secam devido à ocorrência ou ausência das chuvas, havendo um período de cheia e um de seca durante o ano.
  • A maioria dos rios é perene, isto é, nunca seca. Rios intermitentes ou temporários existem, mas são em menor número.
  • Ocorrem formações lacustres (lagos) em Mato Grosso, especialmente no Pantanal mato-grossense, mas grande parte deles é temporária. Baías como Siá Mariana e Chacororé são de maior porte e se destacam em relação às demais.

O território mato-grossense, por ocupar uma posição centralizada na América do Sul, é local de nascentes de rios de três das quatro maiores bacias hidrográficas brasileiras: a Bacia Amazônica, a Bacia do Tocantins (ou Tocantins-Araguaia) e a Bacia Platina.

Quanto a esta última é necessário um esclarecimento: a Bacia Platina leva este nome porque se refere aos principais rios formadores do Rio da Prata, que deságua no Oceano Atlântico entre Argentina e Uruguai. Os rios formadores são Paraná, Paraguai e Uruguai, todos eles com suas nascentes em território brasileiro. Várias bibliografias dividem a Bacia Platina, em território brasileiro, em Bacia do Paraná, Bacia do Paraguai e Bacia do Uruguai. Porém outras bibliografias, mais atuais, consideram a Bacia do rio Paraguai como parte da Bacia do Paraná, então a divisão da Bacia Platina em território brasileiro seria em Bacia do Paraná e Bacia do Uruguai. Segundo este último critério, a parte da Bacia do Paraná localizada em território mato-grossense é denominada Sub-bacia do Alto Paraguai.

mapa-01 Características Gerais da Hidrografia de Mato Grosso

A Bacia Amazônica é a bacia hidrográfica que ocupa a maior parte do território mato- grossense. Seus rios correm na direção norte e a Chapada e Planalto dos Parecis é o grande divisor de águas entre essa bacia e a do Paraná e do Tocantins. A única exceção é o Rio Guaporé, que nasce nos Parecis e corre na direção noroeste, fazendo a fronteira Brasil (Rondônia) e Bolívia, até desaguar no Rio Madeira.

mapa-02 Características Gerais da Hidrografia de Mato Grosso

Seus principais rios são o Xingu, Guaporé, Juruena, Teles Pires, Arinos e Aripuanã. O Rio Xingu é o único afluente direto do Rio Amazonas pela margem direita. O Teles Pires e o Juruena são formadores do Rio Tapajós. Hoje são enumerados 55 projetos de PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas) na Bacia Amazônica em Mato Grosso, além das usinas de maior porte (cinco) que estão projetadas para o Teles Pires: a Usina Hidrelétrica Teles Pires, de 1820MW, Usina Nova Canaã, de 300 MW, a de São Manoel, de 764 MW; a Foz do Apiacás com Teles Pires, de 174 MW e de Sinop de 646 MW. A hidrovia do Madeira apresenta bom potencial de aproveitamento para o escoamento da produção de MT para o mercado externo, porém não está localizada em território mato- grossense.

mapa-03 Características Gerais da Hidrografia de Mato Grosso

Hidrovias poderão ligar as regiões Centro Norte e Noroeste de Mato Grosso até os portos do Pará (Santarém e Belém), agilizando e desonerando o escoamento da produção agropecuária dessa região. A hidrovia Teles Pires –Tapajós sai de Sinop e chega até Santarém, com 1.576 km de extensão. Já a hidrovia Juruena/Arinos –Tapajós sai de Porto de Gaúchos até Santarém e também tem aproximadamente 1.500 km.

A Bacia Tocantins –Araguaia é a maior bacia hidrográfica genuinamente brasileira e ocupa 24% do território mato-grossense. A parte da bacia que abrange Mato Grosso é a Sub-bacia do Araguaia, localizada na porção sudeste-leste-nordeste de Mato Grosso. O principal rio da bacia em Mato Grosso é o Araguaia, que nasce na Serra do Caiapó e faz a fronteira Mato Grosso –Goiás e Mato Grosso-Tocantins, sendo que neste trecho do seu curso aparece a maior ilha fluvial do mundo, a Ilha do Bananal (19.000 km²), pertencente ao território de Tocantins. O principal afluente do Rio Araguaia em Mato Grosso é o Rio das Mortes, cuja nascente fica no município de Campo Verde e que deságua no Araguaia próximo a São Félix do Araguaia.

A Hidrovia do Tocantins-Araguaia é a principal hidrovia e um dos principais troncos viários do corredor Centro-Norte brasileiro. Ela se sustenta principalmente pela navegação nos rios Tocantins e Araguaia, não sendo porém navegável em todos os seus afluentes devido a limitação da calha dos rios e a corredeiras em todo o seu percurso. É uma hidrovia que transporta cargas por uma região de planalto no sentido norte-sul.

A hidrovia está sendo preparada para ser navegada nos seguintes trechos:

a) no rio das Mortes (a fluente da margem esquerda do Araguaia), desde a cidade mato-grossense de Nova Xavantina até a confluência desse rio com o Araguaia, numa extensão de 580 km;

b) no rio Araguaia, desde a cidade goiana de Aruanã até a cidade tocantinense de Xambioá, numa extensão de 1230 km;

c) no rio Tocantins, desde a cidade tocantinense de Miracema do Tocantins até porto a ser construído no Município maranhense de Porto Franco, numa extensão aproximada de 440 km.

A bacia do rio Paraguai é uma sub-bacia da bacia do Rio Paraná, no território brasileiro. Possui uma área de 1,1 milhão de km², abrangendo não apenas os estados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul como também outros países vizinhos do Brasil, como a Argentina, o Paraguai e a Bolívia. O principal rio da bacia é o Paraguai, que nasce na Lagoa da Princesa, na Chapada dos Parecis, município de Diamantino (MT). A bacia do Paraguai pode ser dividida em duas regiões distintas: o Planalto, com terras acima de 200 m de altitude, e o Pantanal, de terras com menos de 200 m de altitude e sujeitas a inundações periódicas, funcionando como um grande reservatório regularizados das vazões dos rios da bacia. O rio Paraguai é o principal rio deste conjunto. Nasce com o nome de “Paraguaizinho”, e em um de seus trechos mais ao sul serve de demarcador de fronteira com a Bolívia. Seus principais afluentes/subafluentes no estado de Mato Grosso são os rios Cuiabá, Sepotuba, Jauru, São Lourenço e Vermelho. A Hidrovia Paraguai-Paraná é uma hidrovia que envolve os cinco países do Rio da Prata: Bolívia, Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. A hidrovia começa no município de Cáceres, no Mato Grosso, e atravessa 1.300 km até Nueva Palmira, no Uruguai, e passa pelas cidades de Corumbá e Assunção. Sua intenção é permitir o tráfego de barcaças 24 horas por dia, 7 dias por semana e 365 dias do ano. Pela região passam enormes comboios que percorrem suas águas, transportando soja, trigo, minérios, combustíveis e madeira.

 

 

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